O prazo para a
presidente Dilma Rousseff sancionar ou vetar a proposta expira nesta
terça-feira
Em documento
encaminhado ao ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, o ministro do
Planejamento, Nelson Barbosa, defende o "veto integral" do projeto de
reajuste do Judiciário. O prazo para a presidente Dilma Rousseff sancionar ou
vetar a proposta expira nesta terça-feira.
O aumento aprovada pelo Senado, no último dia 30 de junho,
varia de 56,4% a 78,6%. A categoria alega defasagem salarial, uma vez que o
último plano de cargos e salários foi aprovado em 2006. O documento endereçado
à Mercadante é datado do último dia 8 de julho e traz no espaço destinado ao
assunto, em negrito e caixa alta, o termo "veto total".
"Senhor
ministro, cumprimentando-o cordialmente, dirijo-me a Vossa Excelência para
informar que este ministério sugere veto integral ao Projeto de Lei da Câmara n
28 de 2015", diz trecho do documento assinado por Nelson Barbosa no qual
trata sobre o plano de carreiras dos servidores do Poder Judiciário da União. O
posicionamento do ministro Nelson Barbosa é feito com base em duas notas
técnicas e um parecer, elaborados pelas equipes técnicas do MPGO e da Advocacia
Geral da União (AGU).
Nos documentos, distribuídos em 15 páginas, entre os
principais argumentos apresentados pelas áreas técnicas envolvidas na discussão
está o fato de que o aumento não está previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA)
deste ano, além de não existir dotação orçamentária e autorização específica
prevista na Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO).
"No que tangem ao PLC em análise, cabe esclarecer que
não consta no Anexo V da Lei Orçamentária de 2015 autorização específica para
os ajustes constantes no PLC 28 de 2015. Do mesmo modo, não foram previstas, na
LOA 2015, dotações orçamentárias correspondentes ao acréscimo de despesa
advindo de sua implantação em folha de pagamento", diz trecho de um dos
documentos. "A necessidade automática e obrigatória de previsão
orçamentária frente à despesa autorizada e sem os requisitos constitucionais
prévios, culminaria por esvaziar a própria iniciativa privativa do Poder
Executivo para a propositura das leis orçamentárias".
Em uma segunda nota técnica, os técnicos ressaltam que o
impacto orçamentário com o reajuste em 2015 seria de 1,5 bilhão de reais,
passando para 10,5 bilhões de reais em 2018. "Ante o exposto propõe-se
veto integral ao projeto de Lei 7.920 de 2014, tendo em vista que os reajustes
propostos se apresentam excessivos no atual cenário econômico fiscal", diz
trecho do documento elaborado pela Secretaria de Gestão Pública do MPOG.
A proposta aprovada pelo Senado prevê aumentos a partir de 1
de julho de 2015 de 20%; 40% a partir de dezembro de 2015; 55% a partir de
julho de 2016; 70% a partir de dezembro de 2016; 85% a partir de julho de 2017
e integralmente a partir de dezembro de 2017.
A aprovação do aumento do Judiciário pelos parlamentares
ocorreu em mais um capítulo da queda de braço entre o Congresso e o Palácio do
Planalto. Algumas lideranças do governo enxergaram na iniciativa mais uma
tentativa de desgastar a presidente Dilma Rousseff, uma vez que o Executivo já
havia sinalizado que não teria como arcar com o reajuste diante do cenário de
crise na economia.
(Com informações de OEstadão e Veja)
(Com informações de OEstadão e Veja)

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