segunda-feira, 25 de março de 2013

O sangue contém ou está contido?




.... Na Bíblia, no livro de Levítico, se lê:
..... “A vida está no sangue.”
..... Essa frase dá azo para um paradigma que remonta os tempos da civilização. Crer a vida estar literalmente no sangue não é uma fantasia, ou uma fenomenologia barata etc. só porque veio do senso comum e nesse permanece até os dias atuais. 
.....O fato de, semanticamente, a frase dizer a vida estar no sangue não se faz refutável mesmo na era moderna, pois, foi nessa era que a própria ciência começou a dar indícios de ser esse paradigma um fato natural e inquestionável sob determinados aspectos orgânicos.
.....Contudo, para melhor entendimento, interessante é pensar que o homem logo percebeu que um sangramento ininterrupto causaria morte. Assim, ao longo do tempo, o homem passou a dar interpretações e simbologias diversas, no entanto, todos relacionados à questão em estar vivo ou morto.
.....Mesmo quinhentos antes de Cristo, Hipócrates já dizia ser o sangue o principal fator para a formação dos quatro humores fundamentais de todo o corpo como um organismo uno. Era o sangue que mantinha o equilíbrio, ou desequilíbrio, que se mostrava à pessoa como doença ou saúde.
.....Para alguns povos, como os antigos cambojianos, o sangramento do pulso era um ato, feito em determinadas festas religiosas, auspicioso. Era a garantia de abundância, de felicidade etc. Para os cristãos e judeus, completando os exemplos, o sangue é o elemento primordial, citado, só no livro de Levítico, mais de setenta vezes. O sinal entre a aliança de Deus com os homens foi o sangue derramando de um cordeiro. O próprio Cristo fez referência ao sangue na Última Ceia, quando disse, se referindo ao vinho em sua taça:
.....“Este é o meu sangue.”
.....Foi com base nesses pensamentos, mitos e simbologias que surgiu a sangria como um remédio, muito embora heróico, mas eficaz às doenças (de certa forma e observando o contexto) cujas causas e curas não se fazia idéia.
.....Hoje, porém, o sangue é uma coisa - mesmo que simbólica - relacionada às coisas como, por exemplo, o que é belo, nobre, evoluído... Mas, ao que mais se agregou ao sangue, isso no início da Idade Média, foi sua relação aos sentimentos, ou seja, é considerado como o veículo das paixões.
.....Por outro lado, não há negar também que o sangue representa, na vida humana, uma simbologia lingüística que desagrega ou agrega as pessoas, que as separam ou as juntam em determinados grupos. A isso, usa-se como exemplo, as famosas frases do folclore brasileiro:
.....“Eta homi de sangue ruim.”.....“Eta homi de sangue bom.”
.....Isso deixa claro que o sangue também é entendido como o portador dos traços da personalidade de uma pessoa, bem como pode ser projetada as pestes diabólicas, como por exemplo, as doenças venéreas e as contagiosas, como a lepra. Fica inegável então que o sangue pode ser o meio pelo qual são passados adiante os traços familiares, tanto como as doenças. Nesse sentido, o senso comum não está errado, em tese.
.....Por fim, o sangue passou a ser uma medida de preconceito, pois, as raças (etimologias) são medidas pelo seu sangue, ou seja, sangue negro, sangue indígena etc.
.....Tudo isso leva ao entendimento de que o senso comum, por meio de seus mitos, folclores etc., dão o norte para a sociedade e ou para uma realidade fática a qual todos dão às costas.
.....Assim sendo, e, seguindo o caminho para o qual aponta o senso comum, cientistas descobriram coisas que efetivamente se valem como realidade, ratificando toda a simbologia dada ao sangue, pois, por exemplo, da sangria à transfusão de sangue não se manteve vidas?
.....Tudo para uma só pergunta reflexiva:.....“O que está no sangue, e, o que está na mente?”.....Ou:.....“O que está na mente, está no sangue?”
(UM CAVALEIRO TEMPLÁRIO)