segunda-feira, 8 de abril de 2013

O que é a felicidade em si?

Hoje, em um mundo real-social no qual vivem as pessoas, não há negar que essas estão livres dos conceitos e preconceitos que regravam a sociedade séculos atrás, no entanto, não há negar também que a questão felicidade é dada nos dias atuais, pela liberdade individual alcançada, como uma obrigação a todos, ou seja, as pessoas, nesse tempo presente, em principal aquelas do senso comum, entendem a felicidade como algo concreto e tangível. Como um objetivo obrigatório para ser “feliz”.


.....Todavia, ninguém se dá a curiosidade de entender ou mesmo saber o que de fato é a felicidade. Seria esse conceito algo realmente concreto que pode ser alcançado e dele se tomar posse? Ou seria, em última análise, um dos fatores que levam a pessoa para viver melhor, ou seja, para um bem-estar duradouro? Nesse último caso, entende-se que a felicidade é, não um meio, mas sim um dos meios para o viver bem, o que é bem diferente de felicidade, pois, felicidade é um estado de espírito, é um conjunto de emoções positivas, mas indubitavelmente efêmeras.
.....A felicidade em si é então um conjunto de emoções que advêm de interpretações subjetivas de cada pessoa em relação ao que lhes acontece no dia-a-dia, relacionados ainda com a personalidade, genética e contexto sócio-cultural-econômico, considerando isso em todos os sentidos que se possam dar a qualquer pessoa, isto é, devem ser considerados também, nesse raciocínio, além da felicidade como conjunto positivos de emoções, coisas como os relacionamentos sociais e afetivos, o engajamento no que se faz, o propósito e, por fim, a realização.
.....Em suma, diz-se então a felicidade ser apenas um dos componentes básicos para o bem-estar, a colocando como um meio e não como um fim, pois, felicidade é algo temporário e passageiro, sempre sendo alternada por outras emoções, tais como, a melancolia, a raiva, o amor etc. Mas, para o senso comum, tudo é resumido em duas únicas coisas “concretas” e “objetivas”, a saber: Felicidade e tristeza.
.....Assim sendo, para essas pessoas, ou se está feliz concretamente, ou se está triste, também concretamente, o que não se faz verídico, pois, quem um dia, em meio à tristeza vívida não recebeu uma notícia, ou uma visita etc., que a transformou em uma pessoa feliz - de ora a outra?
.....Viver bem não é a mesma coisa que ser feliz, no entanto, não há como viver bem se a pessoa não está feliz.
.....É preciso que as pessoas entendam a necessidade de compreender a felicidade para que realmente sejam felizes e, por meio da relativização de suas emoções positivas e negativas, buscar o bem-estar como fim, cuja felicidade, sem sombra de dúvidas, é um requisito imprescindível, no entanto, um dos requisitos, nada mais.
.....Aristóteles já dizia, em seu tempo, ser a felicidade o fim último, no entanto, explicava a felicidade não como as reações emocionais positivas, mas sim a conduta virtuosa, sendo essa conduta específica a cada pessoa em si, pois, Aristóteles já havia entendido que cada pessoa tem seu humor e potência particular, sendo então a virtude uma coisa específica, mas diferente a cada pessoa.
.....Outros nomes importantes na história da filosofia, psicologia e sociologia deram seus pareceres sobre a questão, colocando sempre a felicidade como um componente para um “viver feliz”, dando-lhes claras diferenças. Jefferson alegava a felicidade ser um direito para se ter um viver melhor quando propôs suas idéias na Declaração de Independência Americana; Tocqueville defendia a felicidade ser uma das coisas buscadas para um fim maior, mas que, no entanto, deveria essa ser controlada para que os desejos imediatos não impossibilitassem atingir o bem maior - entre outros e mais exemplos.
.....Hoje, na sociedade moderna, por conta das idéias do Iluminismo, a felicidade se tornou algo material que deveria ser alcançado a qualquer custo, desconsiderando outros fatores, como controle das emoções positiva e negativas, engajamento, relacionamentos sociais e afetivos, propósito e realização.
.....Então ser “feliz” (viver o bem-estar) seria estar o mais feliz possível; o mais possível engajado no que faz; controlar o máximo possível as emoções; observar e respeitar, em todos os aspectos, as diferenças nos relacionamentos sociais e afetivos; ter um propósito definido e tangível e, por último, focar no resultado final, ou seja, almejar a realização das condições anteriores.
(Um Cavaleiro Templário)