O verão amazônico revela a
verdadeira face de a capital rondoniense. Porto Velho-RO, nesta época do ano, se
assemelha as cidades afegãs, ou, até mesmo, comparada as cidades africanas. Poeira
proveniente de ruas sem saneamento básico e asfaltamento; buracos, em
detrimento a falta de manutenção nas ruas; lama, pela junção de as aguas
jogadas nas ruas pelos moradores sem instrução social; doenças respiratórias,
ocasionadas pela sazonalidade deste verão poeirio.
É nesta época também que se constata
perceptivelmente a pobreza inerente a este povo que nos últimos 25 anos comeu o
pão que o diabo amassou; em se tratando da economia, onde o fluxo migratório
elevou a taxa de náufragos que permearam em diversas aventuras, a exemplo de
garimpo, industrialização de produtos manufaturados e por fim as usinas que
agregaram poucos valores à região; agora, sonha-se com o gás de urucú e a
estrada de ferro, ligando os dois extremos do estado. No que resta ao povo, é
apenas o direito de sonhar.
Os problemas desta grande metrópole que
abriga quase 450 mil sofredores são enormes; os temas básicos onde
constitucionalmente garantem o civilismo do cidadão, praticamente não existem
em Porto Velho-RO; a saúde, atropelada por uma estrutura mambembe, sofre com as
UPA´s sem aparato físico, profissional e técnico; a educação sofre com as
escolas destruídas pela força do tempo, e professores desmotivados e alunos
advindos de famílias desestruturadas pela falta de emprego dos pais, e,
autoestima abalado; Cultura, sofrendo pela pouca atratividade do setor.
Eis uma cidade, deixada por gestores
do erário que legaram para a sociedade o resultado dos seus fracassos
profissionais, quando estes assumiram a responsabilidade de tocar o povo ao
progresso. Para aumentar o sofrimento deste povo, ainda há ruas deterioradas
por obras inacabadas, a exemplo do bairro igarapé, na zona leste da capital,
iniciadas as obras, porém, estão bem longe de serem finalizadas. Obras também
dão o tom deste descaso, como os viadutos, o saneamento básico e as obras para
conter as alagações do rio madeira; por fim, a sujeira, a poeira, refletem uma
cidade que aparentemente parece ser a imagem criada por seu semelhante...

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