Na noite de hoje, precisamente às
20h59m59s, o tempo irá parar por um segundo nos relógios atômicos que
determinam a hora oficial do planeta. Um “leap second”, ou segundo extra, será
adicionado nesse dia à contagem oficial do tempo.
O que isso tem a ver com você? A
inserção de um segundo extra pode causar problemas na internet e
atrapalhar a vida de muitas pessoas. Em dezembro de 2008, por exemplo, o
sistema operacional Linux apresentou vários travamentos após a adição do
segundo.
Quatro anos depois, em junho de
2012, vários sites, como Reddit, LinkedIn , Gizmodo e FourSquare, tiveram
problemas de lentidão. Além disso, praticamente todos os sites que usavam
aplicações escritas em linguagem Java travaram.
Esses problemas ocorrem, pois,
durante o segundo extra, o relógio do computador mostra 60 segundos em vez de
simplesmente avançar para o próximo minuto. Ou ainda, ele exibe o segundo 59
duas vezes. De acordo com o site Live Science, o computador vê o “leap
second” como a volta ao tempo. A máquina regista isso como um erro no sistema.
Para contornar o problema,
empresas como o Google adicionam um milésimo de segundo em seus
servidores, de vez em quando, durante todo o ano. É muito pouco provável que
seu computador pessoal seja afetado. Mas, se quiser garantir que não haverá
problemas, você pode desligá-lo durante a adição do segundo extra.
Com funciona o segundo extra
Desde quando foi criado em 1972
até 1999, o “leap second” foi adicionado a uma taxa média de um por ano. A
partir do início do século XXI, o segundo extra tornou-se menos frequente. O
"leap second" deste dia 30 de junho vai ser o quarto adicionado desde
2000. Contudo, por que os cientistas decidiram inserir esse minuto extra?
Antigamente, a escala de tempo
utilizada era a Greenwich Mean Time (GMT). Isso quer dizer que o horário era
medido a partir da posição aparente do Sol pelo Observatório Real britânico, Em
Greenwich, Londres. Porém, a rotação da Terra e sua translação em torno do Sol
nunca foram precisas. Por isso, os cientistas preferiram medir o tempo a partir
dos relógios atômicos, que utilizam a escala do Tempo Universal Coordenado
(UTC).
A duração de um segundo UTC
(também chamado de “tempo atômico”) é baseada em transições eletromagnéticas
extremamente previsíveis em átomos de césio. Essas transições são tão
confiáveis que o relógio de césio tem uma precisão de um segundo em 1400 mil
anos.
Nessa medida de tempo, os
segundos são acrescentados ou "pulados", quando necessário, para
manter a sincronia com o Sol. Esse segundo a mais, ou a menos, é o “leap
second”. Assim, o recurso serve para certificar que o tempo em relógios
atômicos fique em sincronia com o tempo de rotação da Terra. “Não há uma
periodicidade definida para isso acontecer, já que a rotação da Terra não é
regular”, disse Antonio Moreiras, engenheiro e gerente da área de projetos do
NIC.br, ao site da Associação Brasileira de Internet. “A inserção de um leap
second é decidida com base em medições precisas e anunciada com poucos meses de
antecedência”, adiciona Moreiras.
Por isso, é difícil prever como
os computadores irão reagir. Já foram feitas propostas para abolir o segundo
extra. Contudo, nenhuma decisão foi feita pela União Internacional das
Telecomunicações, uma agência das Nações Unidas especializada em questões de
tecnologia de informação e comunicação.

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