quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Artigo: Fé nas escrituras? Blog: Miguel Montte.




.....Sabe-se que o Novo Testamento, ao que se tem documentado, foi escrito em grego antigo na época de Jesus e “terminado” nos séculos seguintes em latim. Isso porque o idioma mais falado, culto e “registrável” era o grego e depois o latim. Esses tinham cada tal em seu tempo histórico, o status de língua oficial do mundo Antigo.


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Todavia, na medida em que o tempo decorreu, foi-se necessário mais e mais cópias do original e, nessas, as entendas particulares desse e de outro poderoso que, sob suas premissas particulares, mandava reproduzir com suas alterações - essa e aquela e, não obstante, os erros de gramática, de tradução do grego para o latim, sem contar os erros involuntários dos copistas. Depois as alterações se deram pela aglutinação das epístolas e do que se decidiu ser “verdade” e “mentira” no Conselho de Cistina e de Trento, por exemplo.
.....O processo no qual o Novo Testamento seguiu o levou a ter várias versões “oficias”, uma em cada canto do mundo Antigo e cada uma interpretada de acordo com os usos e costumes de onde eram reproduzidas. Isso tudo levou o então Papa na época, século IV, Damasco I, a convocar o monge Eusebius Sophronius, depois canonizado como São Jerônimo, para traduzir e redigir tanto o Velho Testamento, como o Novo Testamento, o primeiro do aramaico e o segundo do grego, ambas para o latim da época.
.....Essa versão foi promulgada como a oficial no Conselho de Trento e chamada de Vulgata, sendo essa a Bíblia oficial, o livro escrito por Deus através das mãos dos homens, Bíblia tal que se faz presente como a original na Igreja Católica.
.....Contudo, há a dúvida divina nesses atuais escritos, posto o Velho Testamento ter sido escrito em aramaico, depois traduzido para o grego e, o Novo Testamento escrito em grego e traduzido para o latim. Tanto uma como a outra são versões surgidas a partir de línguas diferentes escritos em tempos diferentes, cujos anseios e desejos dos homens eram diferentes e, em sendo assim, como há ler esses textos sob o manto divino sem as insurgências e divergências atuais?
.....Contudo, foi Santo Agostinho, com sua filosofia de vida, bem descrita em sua obra A Cidade de Deus, quem trouxe interpretação mais histórica e menos interesseira aos textos antigos. Foi esse quem deu a base para a atual cultura cristã, explicando de forma lógica e a intenção simbólica da Santa Trindade, fundando o que de fato os textos antigos apregoavam, ou seja, como o homem deve se portar em sociedade de modo e maneira a viverem em paz e harmonia, seguindo a regra de ouro a qual tanto Cristo tentou implantar como base de vivência em grupo. Agostinho trouxe de volta coisas como a observação da virtude, pecado e perdão.
.....Mesmo assim, os textos ficam hoje, ao fiel, como uma simples questão de fé, interpretando as escrituras como melhor convier, fato esse iniciado por Lutero e Calvino no século XV, dando origem à idéia protestante, tirando dos Conselhos Seculares, o ditame da palavra de Deus.
.....Todavia, a que presta essas escrituras se não a observância egoísta de cada homem, quando comparada qualquer versão e conceito atual com as escrituras originais, sendo o Velho Testamento em aramaico antigo e o Novo Testamento em grego antigo?
(Por Um Filosofo Incógnito) 

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